Amayna, chilenos de clima frio e grande qualidade

Duas linhas: Boya e Amayna
Há regiões onde se dão bem uvas que gostam de sol e calor e outras em que o clima favorece variedades apreciadoras de temperaturas mais baixas. O vale de Leyda, junto ao oceano Pacífico, no Chile, integra este último grupo. Ali se localiza a vinícola Garcés Silva, que cultiva castas com estas características, especialmente Sauvignon Blanc e Pinot Noir. Na semana passada, a sócia proprietária Maria Paz Garcés Silva esteve em São Paulo para promover seus vinhos, que têm como característica a boa acidez e o frescor. São distribuídos aqui pela importadora Mistral
Leyda é uma das sub-regiões do vale de San Antonio, que fica 75 km a oeste de Santiago, perto do vale de Casablanca. Viña Garcés Silva nasceu em 1999. A família foi uma das pioneiras na plantação de uvas nas colinas de Leyda, a 14 km do Pacífico – dali, nos dias claros se veem as ondas o mar. Como outros vales chilenos situados nas proximidades da costa, recebe a influência das brisas frias impulsionadas pela corrente de Humboldt.
Maria Paz conta que o pai, José Antonio Garcés, possuía 700 hectares de terras na região, onde quase não se cultivava nada, por falta de água. O projeto vinícola só se concretizou quando foi possível implantar um sistema para irrigar as plantações com água do rio Maipo. A família tem hoje 180 hectares de vinhedos, em solos graníticos.

Ao fundo, o mar, com suas brisas frias
A propriedade se situa entre o mar e a chamada Cordilheira da Costa. Ali as temperaturas médias costumam ficar de 5º a 6º C mais baixas do que do outro lado das montanhas. O clima é seco e o índice de chuvas não passa de 300 mm ao ano, concentrado no inverno.
Além de Sauvignon Blanc e Pinot Noir, uvas de ciclo vegetativo mais curto, as temperaturas amenas favorecem o desenvolvimento de Chardonnay. Outra particularidade local é a Syrah, que matura lenta e plenamente em climas frios, dando tintos mais frescos e elegantes. Estas quatro castas são a base dos rótulos elaborados pela vinícola. Há ainda algumas poucas parcelas dedicadas a Garnacha, Cabernet Franc e Petit Verdot.
O padrão da casa foi desenhado pelo enólogo suíço Jean-Michel Novelle, que mantém a consultoria à família. Atualmente, a pequena equipe comandada por Maria Paz Garcés Silva e pelo enólogo Diego Rivera oferece duas linhas de produtos. Boya tem vinhos mais leves, com menor graduação alcoólica, aromáticos e frescos. Já Amayna seduz pela estrutura e elegância, com destaque para o ótimo Amayna Pinot Noir.

A bela adega, integrada na paisagem
A bela adega, integrada na paisagem, funciona por gravidade, sem necessidade de bombeamentos. Produz 250 mil garrafas por ano. Os nomes dos vinhos fazem referência às peculiaridades locais. Amayna tem ligação com amainar, que traduz a diminuição da intensidade dos ventos. E Boya, com um y em espanhol, lembra as boias tão presentes no mar para marcar a posição dos barcos. Mais que nomes, os vinhos buscam expressar o terroir local e todas as nuances que fazem de Leyda um vale especial.
De maneira geral são vinhos bem feitos, confiáveis, de grande qualidade, que entregam o que prometem. Destacamos aqui alguns deles, reapresentados na prova organizada pela importadora Mistral, de Ciro Lilla.
Boya Rosé 2016
Viña Garcés Silva – Vale de Leyda – Chile – Mistral – R$ 132,60 – Nota 90
De cor salmão, é feito com Pinot Noir e um tempero (7%) de Grenache. Lembra no estilo os rosés da Provence, com frescor e muito boa estrutura. Nos aromas há morango e frutas de bosque. Delicado, sem ser diluído, mostra boa acidez e persistência. É seco, gostoso como aperitivo e também para acompanhar peixes e pratos leves (12,5%).
Amayna Sauvignon Blanc 2017
Viña Garcés Silva – Vale de Leyda – Chile – Mistral – R$ 183,20 – Nota 91
A vinícola da família Garcés Silva realmente trabalha muito bem a Sauvignon Blanc oferecida por seu terroir especial. Nesta safra, fruto de um ano quente, as uvas foram colhidas um pouco mais maduras do que o habitual, com mais açúcar e potencial alcoólico, resultando um branco untuoso e de bom volume. Nos aromas lembra aspargo, tomate, frutas tropicais e leve maracujá, com algumas notas de mel. A boca é cheia, envolvente, balanceada pela ótima acidez e frescor. Sua marca é um delicioso toque mineral, salino (14,5%).
Amayna Sauvignon Blanc Barrel Fermented 2011
Viña Garcés Silva – Vale de Leyda – Chile – Mistral – R$ 271,40 – Nota 92
Como o nome indica, é um Sauvignon Blanc fermentado em parte em barricas de carvalho novas, onde depois permanece por 14 meses, o que lhe deu corpo e complexidade. Mostra ao nariz notas amanteigadas, amendoadas, com leve oxidado, em base de fruta, a manga. Na boca é amplo, gordo, cremoso, estruturado, seco, vivaz e persistente. Não precisa dizer que é delicioso (14,5%).
Boya Syrah 2014
Viña Garcés Silva – Vale de Leyda – Chile – Mistral – R$ 132,60 – Nota 89
Um tinto um tanto austero, mas com boa acidez e frescor. Traz ao nariz notas minerais, de grafite, florais e de cacau, em meio à boa fruta madura, a amora. Tem corpo médio, acidez correta, equilíbrio e frescor final. Não há nada exagerado, em excesso (13%).
Amayna Pinot Noir 2015
Viña Garcés Silva – Vale de Leyda – Chile – Mistral – R$ 264,90 – Nota 92
Temos aqui um tinto equilibrado, macio, com ótima estrutura e tipicidade. Estagia por 12 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês. Tem aqueles aromas próprios da casta, que lembram carne, pitanga, especiarias, ou seja, mostra complexidade ao nariz. Na boca é carnudo, elegante, longo, com muito boa acidez e frescor. Em resumo, um vinho denso, untuoso, poderoso, notável (14,5%).
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