Escorihuela Gascón mostra boa expressão de diferentes áreas de Mendoza

Escorihuela Gascón mostra boa expressão de diferentes áreas de Mendoza

A adega histórica em Godoy Cruz

A vinícola argentina Escorihuela Gascón pertence ao grupo de Nicolás Catena e, embora seja a mais antiga ainda em funcionamento em Mendoza, ficou sempre um pouco à sombra de sua conhecida matriz, especialmente no mercado internacional. Mas nos últimos anos vem conquistando espaço e até promovendo experiências que de alguma maneira estão influenciando a própria Catena, como o desenvolvimento de vinhedos orgânicos e biodinâmicos na zona de San Carlos, uma das sub-regiões mendocinas.

Dias atrás, o jovem enólogo Matias Ciciani, 34 anos, que responde pelos rótulos premium de Escorihuela Gascón, esteve em São Paulo para divulgar seus vinhos, distribuídos aqui pela Grand Cru. Em evento organizado pelo restaurante Ecully, de Perdizes, na zona oeste paulistana, em cujo espaço funciona também uma loja da importadora, Matias apresentou tintos e brancos da linha Pequeñas Producciones, boa expressão das áreas em que a empresa possui vinhas.

A vinícola foi fundada em 1884 por um jovem imigrante vindo de Aragón, na Espanha, Miguel Escorihuela Gascón, então com 19 anos. A adega, hoje um prédio histórico, surgiu no início do século XX. Pelo estilo e potencial de seus vinhos, a empresa foi comprada em 1992 por um grupo comandado por Nicolás Catena. A família Catena, detentora de 51% do negócio, administra a vinícola, tendo como sócia a família Benegas Lynch (49%). Sob a liderança da Catena, a tradicional bodega passou por forte renovação.

Hoje, Escorihuela Gascón tem 150 hectares de vinhedos na zona original de Agrelo, Luján de Cuyo; 75 hectares de vinhas orgânicas e biodinâmicas em El Cepillo, em San Carlos, ao Sul do vale de Uco, a 1.200 m de altitude; e 40 hectares em Salta, no norte da Argentina. Compra ainda uvas de pequenos produtores selecionados e produz por ano perto de 11 milhões de garrafas de vinho. Na sede histórica de Godoy Cruz, cidade a apenas 4 km de Mendoza, uma atração é o restaurante 1884, parceria de Nicolás Catena com o chef Francis Mallmann, conhecido como mestre na arte de dominar o fogo.

Em breve, a empresa vai lançar aqui seu primeiro rótulo orgânico, o Organic Vineyard Malbec 2016. O tinto, cuja edição inicial apresentava o vinho da safra de 2015, é produzido com uvas de um vinhedo plantado em 2006 em El Cepillo por insistência de Ernesto Catena, filho do Nicolàs. Inicialmente ele encontrou resistências dentro da empresa, mas foi em frente e provou estar certo pelo resultado alcançado. Esta vinha tem certificação orgânica e biodinâmica.

Avaliamos aqui três vinhos que expressam o estilo e a qualidade dos vinhos da casa Escorihuela Gascón.

 

Escorihuela Gascón Syrah 2017

Escorihuela Gascón – Mendoza – Argentina – Grand Cru – R$ 114,90 – Nota 90

Um Syrah macio, produzido com uvas da zona de Agrelo, onde o clima é mais quente. Traz nos aromas um toque floral, notas de pimenta e cacau, em base de fruta a amora e cereja. Tem bom corpo, taninos maduros, sem excessos, e frescor final. Bom para acompanhar comida (14%).

 

Pequeñas Producciones Malbec 2015

Escorihuela Gascón – Mendoza – Argentina – Grand Cru – R$ 239,90 – Nota 92

As uvas para este gostoso Malbec 100% foram selecionadas de parcelas de vinhedos de Las Compuertas (Luján de Cuyo), Vista Flores (Tunuyán), La Consulta (San Carlos) e Finca el Cepillo (Vale de Uco, orgânico). Amadurecido por 10 meses em barricas de carvalho francês, mostra nos aromas notas de azeitona, florais e de especiarias, junto com cereja, ameixa e algo de mirtilo. Untuoso, encorpado, mas equilibrado e elegante, agrada pelo conjunto fino, além da boa acidez e frescor final (14%).

 

Pequeñas Producciones Chardonnay 2015

Escorihuela Gascón – Mendoza – Argentina – Grand Cru – R$ 239,90 – Nota 91

Um branco de perfil californiano, com boa presença da madeira. As uvas são provenientes de Agrelo, a 950 m de altitude, e metade do lote amadureceu por 12 meses em barricas de carvalho francês. Lembra ao nariz baunilha, com um toque amanteigado, abacaxi e pêssego. Gordo, untuoso, tem bom volume, acidez média a boa e final bastante longo. A partir da safra de 2018 o enólogo Matias Ciciani está promovendo mudanças, incorporando uvas compradas de um pequeno agricultor de Galtallary, no vale de Uco, zona mais fria, para reforçar a acidez e o frescor do vinho. Mas o estilo atual também é agradável, especialmente para quem gosta de brancos amadeirados (14%).

 


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