Pequenos notáveis

Pequenos notáveis

Um grupo de pequenos produtores do Chile esteve no Brasil durante a Expovinis, para mostrar seus vinhos. E que vinhos! A maioria avaliados com notas acima dos 90 pontos. Todos buscando importadores em nosso país. A lista incluía Viña Von Siebenthal, Casa Bauzá, Acróbata, Vultur, InsTinto e Alchemy Wines, integrantes do Movi, o Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile, uma associação que reúne hoje 27 vinícolas de pequeno porte ligadas pela mesma filosofia, de fazer vinhos de qualidade com pouca intervenção, que expressem o terroir. Não é a primeira vez que representantes do movimento mostram seus rótulos por aqui, mas é sempre oportunidade para boas descobertas.

Para começar, os ótimos tintos da Von Siebenthal, que já foram importados anteriormente e no momento estão sem distribuição. A vinícola, criada em 1998 pelo advogado suíço Mauro von Siebenthal, com apoio financeiro de quatro amigos, fica no vale de Aconcagua. Entre os vinhos provados, destaque para o Montelig 2009, corte de 40% Cabernet Sauvignon, 30% Petit Verdot e 30% Carmenère, com aromas de fruta evoluída, chocolate e especiarias. É macio e elegante (Nota 91); Carabantes 2012, um Syrah maduro, estruturado e elegante, sempre uma satisfação ao beber (Nota 92); e o Toknar 2008, um Petit Verdot 100%, com 26 meses de barricas francesas novas, que traz ao nariz notas de chocolate, eucalipto, castanha, especiarias e ameixa. Na boca é estruturado, com taninos firmes, maduros, um tinto soberbo, marcado pela força e fineza (Nota 92).

Muito bons também os tintos da Casa Bauzá, do Maipo. Tem 107 hectares de vinhedos, orgânicos, vende uvas à vinícola biodinâmica Emiliana e só produz dois vinhos com seu próprio rótulo. O equilibrado e macio Presumido Carmenère 2014 (Nota 91) e o elegante Ensamblaje 2013, corte de 55% Carmenère, 35% Syrah e 10% Cabernet Sauvignon. É fino, com taninos maduros, mostra complexidade de aromas (Nota 92). Já com uvas de Colchágua e Cachapoal, Jaime Roselló Larrain produz o excelente Viña Acróbata 2012, com a consultoria do experiente enólogo Patrick Valette. Lote de 69% Cabernet Sauvignon, 26% Carmenère e 5% Syrah, repousa por 18 meses no carvalho francês. Muito fino, untuoso, com ótima acidez e frescor (Nota 92). Da vinícola Vultur, de Colchágua, vem o Grymphus 2013, mescla de 70% Carmenère, 20% Petit Verdot e 10% Petite Syrah – uvas que exigem tratamento cuidadoso e que aqui deram um tinto macio, fácil de beber (Nota 90).

Outro perfil tem a empresa do enólogo Felipe Riveros, 37 anos, que compra uvas selecionadas em várias regiões para produzInstintoir 8 mil garrafas por ano de tintos não filtrados, com o nome InsTinto. O melhor é o InsTinto del Maule 2013, um achado, a partir de 55% de Ca bernet Sauvignon de vinhas com mais de 100 anos, 20% Carmenère, 15% Syrah e 10% Petit Verdot. Tem estrutura, taninos finos e elegância (Nota 92). Por fim, os vinhos Alchemy, do jovem enólogo Eduardo Camerata, 30 anos, que também compra uvas de terceiros, de preferência em vinhedos velhos e elabora 30 mil garrafas a cada ano. Seus varietais Carmenère, Syrah e Malbec são consistentes e bem feitos. Destaque para o Gran Cuvée 2014, corte de 50% Cabernet Sauvignon, 30% Carmenère, 10% Syrah e 5% Malbec, fino e elegante, em corpo médio (Nota 91).

O Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile foi fundado em 2009 e desde o início reuniu pequenas vinícolas que, sozinhas, tinham dificuldades para divulgar seus produtos no mercado. Deu muito certo e hoje é nome Movi é uma referência de qualidade. Entre os associados há empresas conhecidas do nosso consumidor, como Erasmo, Gilmore, Villard, Garage, Viña Polkura e Attilio & Mochi – vinícola criada pelo simpático casal brasileiro Marcos Attilio e Angela Mocchi, que produz no Chile os rótulos Tunquen e Sucre. Mas no movimento há outros ótimos produtores ainda em busca de espaço no Brasil. Fica a deixa para importadores interessados.

 

 

 

 

 

 

 

 


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