Vinícola Hermann apresenta mais um bom espumante, o Lírica Brut Rosé

Vinícola Hermann apresenta mais um bom espumante, o Lírica Brut Rosé

O novo Lírica Brut Rosé

Estrutura, com fineza. A Vinícola Hermann, de Adolar e Edson Hermann, donos da importadora Decanter, está lançando mais um espumante de sua linha premium, o Lírica Brut Rosé, originário dos vinhedos de Pinheiro Machado, na gaúcha Serra do Sudeste. Produzido com 90% Pinot Noir e 10% Chardonnay pelo método clássico, em que a segunda fermentação ocorre na própria garrafa, ganhou complexidade depois de amadurecer por 18 meses em contato com as borras. Mostra riqueza de aromas e elegância na boca.

O Lírica Brut Rosé foi apresentado à imprensa especializada esta semana, em uma degustação virtual comandada pelo sommelier Tiago Locatelli, da Decanter, com a participação de Adolar e Edson Hermann.

A produção de vinhos complementa as atividades da família Hermann, estabelecida em Blumenau, no vale do rio Itajaí, nordeste de Santa Catarina. Adolar trabalhou por 38 anos em uma grande indústria têxtil catarinense, mas sempre foi apaixonado pelos vinhos. Na década de 1990, com a crise do setor, deixou a empresa. Tinha 57 anos e não queria ficar parado. Decidiu então unir o hobby vinícola levado a sério e sua experiência como administrador, criando em 1997 a importadora Decanter, hoje uma das mais consistentes do país.

Poucos anos depois, em 1999, o desejo de produzir vinhos levou a um primeiro passo: ele e o filho Edson se tornaram sócios, com outros dois amigos, da vinícola Quinta da Neve, pioneira em São Joaquim, na serra catarinense. Por fim, a vocação se consolidou em 2009, no Rio Grande do Sul, quando Adolar e Edson compraram uma propriedade de 100 hectares, com 21 ha. de vinhedos meio abandonados, na Serra do Sudeste. As terras ficam em Pinheiro Machado, na divisa com a Campanha Gaúcha – o município faz fronteira com Candiota, onde a Miolo tem seu projeto Seival.

Os vinhedos foram inteiramente recuperados

Adolar lembra que foi uma oportunidade imperdível. A propriedade pertencia ao grupo português Plansel, da família Lindemann. De origem alemã, Dorina e seu marido Thomas Lindemann eram donos da Quinta da Plansel, no Alentejo, e de uma empresa dedicada ao cultivo e venda de mudas de viníferas – tradição iniciada pelo pai dela, Jorge Böhm. O casal comprou terras no Brasil no início dos anos 2000, pensando em desenvolver também aqui um negócio viveirista. Plantou uvas para mostrar o que poderia oferecer. Mas a morte precoce de Thomas sobrecarregou Dorina em Portugal e ela ficou sem condições de tocar as atividades em Pinheiro Machado.

Adolar e Edson eram amigos do casal Lindemann, pois a importadora Decanter distribuía seus vinhos aqui. Assim,  foi natural a proposta para comprarem a propriedade gaúcha. Para iniciar o novo empreendimento, Adolar e Edson pediram ajuda a outro amigo, Anselmo Mendes, um dos enólogos mais respeitados em Portugal, onde é conhecido como rei da Alvarinho. A propósito, os ótimos brancos que Anselmo produz em Melgaço, na região dos Vinhos Verdes, também são importados pela Decanter.

Aos poucos, os antigos vinhedos da Serra do Sudeste foram recuperados e confirmaram o potencial do lugar para originar vinhos de qualidade. O trabalho começado com orientação de Anselmo Mendes foi ampliado pelo talentoso enólogo Átila Zavarize, conhecido pela atuação em vinícolas catarinenses.

 

O terroir

Pinheiro Machado: menos chuvas, concentradas no inverno

Pinheiro Machado possui algumas vantagens em relação, por exemplo, à Serra Gaúcha. Tem clima mais ameno e menor índice de chuvas – 1.370 mm por ano, contra 1.750 mm em média no Vale dos Vinhedos, junto a Bento Gonçalves. Além disso, na Serra do Sudeste as chuvas costumam se concentrar no inverno, período de dormência das videiras. Nas fases de desenvolvimento dos cachos, entre outono e verão, os dias quentes são sucedidos por noites frescas. A maior amplitude térmica favorece o amadurecimento e, principalmente, preserva a acidez natural das uvas.

As terras da família Hermann, situadas a 430 metros de altitude, apresentam solos franco-arenosos, com afloramentos rochosos e boa drenagem. Ali são cultivadas as castas Chardonnay, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Alvarinho, Cabernet Franc, Syrah, Merlot, Touriga Nacional e Aragonez. Segundo Edson, Chardonnay e Pinot Noir recebem agora atenção especial, pois a produção de espumantes é um dos focos da vinícola, e estas duas variedades entram na composição do vinho base que dá origem aos borbulhantes.

Sem adega própria, a Hermann elabora seus produtos em cantinas de vinícolas parceiras, como Cave Geisse e Quinta Don Bonifácio. Oferece atualmente três linhas de rótulos, uma de vinhos tranquilos e duas de espumantes. A série Matiz traz os varietais Alvarinho, Touriga Nacional, Cabernet Sauvigon e o Plural, um blend tinto. Bossa reúne espumantes mais acessíveis, feitos pelo método Charmat, em que a segunda fermentação alcoólica acontece em tanques de aço fechados.

No topo fica a família de espumantes Lírica, todos elaborados pelo método clássico, em que a tomada de espuma acontece na própria garrafa. Incluía o Lírica Brut e o surpreendente Lírica Crua, que não passa por limpeza final (dégorgement) e por isso apresenta alguma turbidez, pela presença dos traços de levedura em meio ao líquido. A esta linha se junta o Lírica Brut Rosé. Na degustação virtual do novo produto, Adolar Hermann adiantou que a vinícola pretende lançar em breve mais um rótulo ousado – um Lírica com 84 meses de autólise, ou seja, sete anos na garrafa junto com as borras. Ficamos todos curiosos para conhecer o resultado.

 

Lírica Brut Rosé

Vinícola Hermann – Pinheiro Machado, RS – Brasil – Decanter – R$ 109,10 – Nota 91

O novo espumante da Vinícola Hermann, de Adolar e Edson Hermann, vem dos vinhedos da família em Pinheiro Machado, na Serra do Sudeste, Rio Grande do Sul. É lote de vinhos das safras de 2018 e 2019, entrando na composição 90% Pinot Noir e 10% Chardonnay. O vinho base ficou por 6 meses em contato com as borras. Depois de colocado na garrafa para a segunda fermentação alcoólica (método clássico), deveria permanecer por 12 meses em presença das leveduras – mas segundo o sommelier Tiago Locatelli, que o apresentou oficialmente esta semana, acabou deixado por 18 meses com as lias. Ganhou sem dúvida em volume e complexidade. Com bela cor salmão claro, acobreada, é seco, sem agressividade. Tem 8 gramas de açúcar residual por litro, lembrando que a legislação estabelece que o estilo Brut pode ter entre 6 gr/l e 15 gr/l. Edson Hermann observou que o consumidor brasileiro gosta de espumantes com sensação de doçura. A família Hermann, no entanto, preferiu algo mais classudo. É isso mesmo que se sente, alguma austeridade, sem perder o frescor. Nos aromas traz cereja e morango, com toque floral e boas notas de frutas secas e panificação. Na boca mostra estrutura, é cremoso, tem presença, destacando-se também a boa acidez. É equilibrado, longo e elegante. Versátil à mesa, vai bem, por exemplo, com a cozinha oriental, com massas à base de frutos do mar, ou na conversa com amigos. Adolar disse que o nome Lírica foi escolhido pela sonoridade e porque ele gosta muito de música clássica. Deste Lírica Brut Rosé a família Hermann produziu, nas instalações da vinícola gaúcha Don Bonifácio, 12 mil garrafas (Álcool 12%).

 

 

 



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