Confraria do Adolar organiza degustações virtuais na pandemia para reunir o setor

Confraria do Adolar organiza degustações virtuais na pandemia para reunir o setor

A estreia da Confraria do Adolar

Em tempo de pandemia, com todo mundo fechado em casa – pelo menos os mais responsáveis – fica difícil reunir um grupo para degustar em conjunto, como era normal antes. Pensando em uma saída, o dono da importadora Decanter, Adolar Hermann, criou a Confraria do Adolar, que organiza provas temáticas virtuais. A equipe da Decanter manda as garrafinhas para a casa dos convidados, reúne a turma pela Internet e todos podem avaliar os vinhos ao mesmo tempo.

A primeira experiência da Confraria do Adolar aconteceu na semana passada com a participação de 20 jornalistas especializados de São Paulo. “O objetivo da confraria é buscar um caminho para não perder o contato com o setor, para que a gente possa continuar a provar vinhos”, disse Adolar, ao apresentar o novo projeto.

O encontro inicial foi comandado pelo próprio importador e pelo sommelier da Decanter, o sempre eficiente Tiago Locatelli. Dentro do portfólio da empresa, eles selecionaram seis exemplares, com o tema “Vinhos pontuados no Gambero Rosso”, referindo-se ao principal guia italiano, que a cada ano premia com um, dois ou três “bicchieri” (cálices) os melhores rótulos do país.

Os seis vinhos da prova

Na prova, os vinhos selecionados, todos com pelo menos “due bicchieri”, foram o espumante Medici Ermete Lambrusco Reggiano Concerto 2019; o branco Umani Ronchi Verdicchio dei Castelli di Jesi Classico Superiore Casal di Serra 2019; e os tintos Arpepe Rosso di Valtellina 2015; Tenuta Castelbuono Ziggurat Montefalco Rosso 2016; Rocca delle Macìe Chianti Classico Gran Selezione Riserva di Fizzano 2013 e Feudo Maccari Nero d’Avola Saia 2016. O apoio do evento foi feito pela equipe da assessoria CH2A.

“A ideia é escolher um tema de cada vez, mostrar novidades, rever vinhos até esquecidos, mas que merecem atenção”, completou Adolar. Ele pretende estender a experiência a grupos de profissionais de outros Estados, e não apenas a jornalistas, de modo a preservar o contato com aqueles que fazem girar o mundo do vinho em nosso país. É realmente uma oportunidade rara e que deve ser valorizada, especialmente nesses tempos com tantas restrições provocadas pela necessidade de distanciamento social, para preservar vidas.

A importadora Decanter foi fundada em 1997, em Blumenau, Santa Catarina, por Adolar Hermann e seu filho Edson. Começou pequena, cresceu e se consolidou como uma das mais importantes distribuidoras de vinhos importados do Brasil. Desde o início mantém o foco em rótulos de qualidade, de nicho, sem se ater a produtos escolhidos apenas por seu apelo popular.

Hoje o catálogo da empresa oferece vinhos de 180 produtores, de 18 países. Fora a matriz, em Blumenau, a empresa conta com perto de 50 distribuidores por todo o Brasil, incluindo a rede de 23 Enotecas Decanter, espalhadas por nove Estados brasileiros – São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul e Bahia. As Enotecas, misto de loja e Wine Bar, ajudam a difundir a cultura do vinho por todo o país.

 

Os vinhos

Os vinhos escolhidos para a primeira degustação virtual da Confraria do Adolar são de alto nível. São produzidos em seis regiões da Itália e por seis vinícolas diferentes. Vamos colocá-los aqui na ordem em que foram apresentados, pois ela reflete uma lógica em relação a tipo e características de cada um deles.

 

Lambrusco Reggiano Concerto 2019

Medici Ermete – Emilia-Romagna – Itália – Decanter – R$ 163,10 – Nota 91

Os Lambrusco foram os espumantes mais populares no Brasil durante muitos anos, especialmente os brancos, pelo preço acessível, estilo adocicado e facilidade de beber. São encontrados em qualquer padaria ou supermercado. A maioria é de vinhos simples, alguns até de má qualidade, e isso prejudicou sua imagem por aqui. Felizmente existem as exceções, os produtores caprichosos que tratam seu vinho com respeito e não abrem mão dos melhores padrões de elaboração. Um deles, sem dúvida, é Medici Ermete, uma espécie de gênio protetor da tradição do Lambrusco. A história da família Medici remonta a 1890, e nos tempos atuais voltou a chamar a atenção a partir dos anos 1970 e 80. Quando Lambruscos de má procedência inundavam o mercado mundial, a Medici Ermete fez o caminho inverso, convertendo os vinhedos para produção de rótulos de qualidade superior. Uma das providências tomadas pela quarta geração da família foi reduzir os rendimentos da vinha, deixando-os até 40% abaixo do permitido pela região. O resultado são vinhos bem feitos, equilibrados, com uma concentração de sabores e estrutura raramente vistos no Lambrusco. A vinícola produz cerca de 800 mil garrafas por ano e possui 75 hectares de vinhedos orgânicos na Emilia-Romagna. Seu Concerto é emblemático da casa, apresentado pela primeira vez em 1993. Trata-se de um espumante tinto, categoria menos usual em nosso mercado, mais difícil de vender que o branco. Mas é muito interessante. Produzido com a casta Lambrusco Salamino, vem da província de Reggio Emilia – daí a indicação Reggiano que aparece no rótulo. Depois da segunda fermentação em tanques fechados traz aromas gostosos de uva tinta madura e também de berries, de amora e outras frutinhas negras, com notas florais, de rosas. Mostra bom corpo, é cremoso, com textura macia. No paladar é seco, embora com sensação de alguma doçura, pela presença de 9 gr. de açúcar por litro, compensada pela boa acidez. Um espumante agradável como aperitivo, para acompanhar entradas, salame e embutidos, Cotechino com lentilha e outros pratos italianos leves (11,5%).

 

Verdicchio dei Castelli di Jesi Classico Superiore Casal di Serra 2019

Umani Ronchi – Marche – Itália – Decanter – R$ 108,97 – Nota 91

O Marche fica no centro-este da Itália, banhado pelo mar Adriático, e diz-se que foi colocado no mapa vinícola do país relativamente há pouco tempo, graças ao trabalho de produtores como Umani Ronchi. A vinícola foi fundada em 1957 por Gino Umani Ronchi e comprada nos anos 60 por Maximo Bernetti, que a elevou aos padrões atuais. Hoje a casa é liderada pelo talentoso Michele Bernetti e possui 240 hectares de vinhedos em três áreas distintas: Castelli di Jesi e Conero, no Marche, e Montepulciano d’Abruzzo, todos cultivados organicamente. Entrega ao mercado 9 milhões de garrafas por ano. Castelli di Jesi é nome da região e também do branco mais famoso do Marche, produzido com a uva Verdicchio. O Casal di Serra, referência na apelação, é fermentado em tanques de inox, onde depois permanece por cinco meses, sobre as borras, para ganhar mais complexidade. Os aromas lembram damasco, pera e cítricos, com notas florais e algo mineral. Em corpo médio, tem textura macia e frescor, reforçado pela boa acidez. Apresenta um certo amendoado no final (13%).

 

Arpepe Rosso di Valtellina 2015

Arpepe – Lombardia – Itália – Decanter – R$ 402,60 – Nota 91

A Nebbiolo é a uva dos grandes tintos do Piemonte, no norte da Itália, estrela dos famosos Barolo e Barbaresco. Embora menos divulgada, aparece também na Lombardia, onde é conhecida por Chiavennasca. Ali, uma garantia de qualidade é a família Pelizzatti Perego, que produz vinhos desde 1860 nas encostas alpinas de Valtelina. A tradição foi mantida por Arturo Pelizzatti Perego, que nos últimos recebeu a ajuda dos filhos Emanuele, Isabella e Guido no comando da empresa. Seus 13 hectares de vinhedos ficam em áreas tão íngremes que a família construiu um teleférico para transportar até a adega os cachos colhidos no alto da montanha. Nos solos pobres de areia granítica, xisto decomposto e depósitos glaciais, a Arpepe consegue expressar todo o potencial da Nebbiolo de altitude. Como característica, é um tinto de cor mais pálida e carga tânica menos densa. Amadurece por 9 meses em tonéis (botti) usados de carvalho. Delicado, apresenta ao nariz cereja, flores secas, especiarias e notas balsâmicas. Em corpo médio, tem taninos maduros, macios, boa acidez e agradável final. No ponto para beber (12,5%).

 

Ziggurat Montefalco Rosso 2016

Tenute Castelbuono/Lunelli – Úmbria – Itália – Decanter – R$ 197,30 – Nota 92

A família Lunelli é conhecida como produtora dos renomados espumantes Ferrari (nada a ver com a famosa fábrica de carros esportivos), joia do Trentino. Sua trajetória começou em 1952, quando assumiu o comando da vinícola fundada em 1902 por Giulio Ferrari, que pretendia oferecer espumantes pelo método clássico à altura dos grandes rótulos franceses de Champagne. Consolidado o sucesso, nos anos 1980 a família decidiu ampliar os negócios. Incorporou a centenária vinícola Bisol, um dos melhores nomes da área do Prosecco, em Valdobiadenne, no Vêneto (importados no Brasil pela Mistral). Passou a elaborar também vinhos tranquilos de qualidade. Hoje o grupo Lunelli, chefiado pela terceira geração da família, produz tintos e brancos em três cantinas em diferentes regiões italianas. A Tenuta Lunelli/Margon fica no próprio Trentino, enquanto a Tenuta Podernovo se situa na Toscana e a Tenuta Castelbuono, na Úmbria. Esta última foi comprada em 2001, com 30 hectares de vinha nas comunas de Bevagna e Montefalco, terra da poderosa uva Sagrantino. A agricultura é orgânica certificada. Na propriedade, a empresa construiu uma adega impressionante, projeto do grande escultor Arnaldo Pomodoro, considerada uma verdadeira obra de arte. Registra 110 mil garrafas de vinho por ano. Ali nasce o Ziggurat, lote de 70% Sangiovese, 15% Sagrantino e restantes 15% entre Cabernet Sauvignon e Merlot, amadurecido por 12 meses em tonéis e barricas de carvalho francês. Se fosse para resumir o estilo do tinto, pode-se dizer que alia a potência da Sagrantino com a elegância e frescor da Sangiovese. No nariz há notas de alcaçuz, tabaco e canela, com algo balsâmico e de chocolate, além de cereja e ameixa. Encorpado, estruturado, oferece bastante fruta. Tem taninos firmes, maduros, equilíbrio e frescor final. Um vinho um tanto austero, que pede comida. A propósito, o nome remete aos zigurates, templos em forma de pirâmide em degraus construídos na antiga Mesopotâmia por sumérios, babilônios e assírios (14%).

 

Chianti Classico Gran Selezione Riserva di Fizzano 2013

Rocca delle Maciè – Toscana – Itália – Decanter – R$ 314,90 – Nota 93

A vinicultura foi uma paixão tardia do bem sucedido produtor de filmes italiano Italo Zingarelli. Entre outras coisas, ele foi um dos criadores do chamado ‘spaghetti western’, criação livre inspirada nos faroestes americanos, em que lançou uma dupla engraçada, o loiro Terence Hill e o grandalhão Bud Spencer. Suas comédias fizeram fama em todo o mundo, e também no Brasil, a exemplo da explosiva “Meu nome é Trinity”. Bem de vida, Italo resolveu concretizar o antigo sonho de produzir vinhos. Em 1973, comprou uma fattoria antiga na Toscana, com 93 hectares, no vilarejo medieval de Le Macìe, situado em uma colina ao redor de Castellina in Chianti, no coração do Chianti Classico. Por causa das pedras, características do solo da região, deu-lhe o nome de Rocca delle Macìe. Em seguida adquiriu a tenuta ao lado, Sant’Alfonso. Apresentou os primeiros vinhos em 1978. Desde 1989 a empresa está sob o comando do filho mais novo de Italo, Sergio Zingarelli, que herdou a paixão do pai. Hoje ele conta com a ajuda da mulher, Daniella, dos filhos Andrea e Giulia, e da irmã, Sandra Zingarelli. A família possui cerca de 500 hectares de terras, com 194 ha de vinhedos, em seis propriedades, sendo quatro na zona do Chianti Classico e duas na Maremma, junto ao litoral toscano. Produz 3,7 milhões de garrafas por ano. Além da adega, Rocca delle Macìe administra um complexo de enoturismo, que inclui um restaurante e dois espaços para hospedagem – Relais Riserva di Fizzano e Torrione. O ponto alto, claro, são os vinhos, como este Chianti Classico, originário da Tenuta Riserva di Fizzano. Corte de 85% Sangiovese e 15% entre Cabernet Sauvignon e Merlot, amadureceu por 24 meses em botti (tonéis de 350 litros) de carvalho francês, tendo uma pequena parte passado por barricas de 225 litros por alguns meses. Recorda nos aromas fruta madura, como cereja, em meio a notas terrosas, de tabaco, canela e outras especiarias. Encorpado, com bastante equilíbrio, tem acidez marcante, é macio, fino e elegante (13,5%).

 

Feudo Maccari Nero d’Avola Saia 2016

Feudo Maccari – Sicília – Itália – Decanter – R$ 342,70 – Nota 93

Antonio Moretti Cuseri começou a produzir vinhos na Toscana, mas depois de algumas viagens à Sicília apaixonou-se pela grande ilha do sul da Itália e no final dos anos 1990 decidiu fixar-se lá. Comprou pequenas parcelas de vinhas antigas e em 2000 montou a Feudo Maccari. Logo a nova vinícola ganhou fama, pelo nível de seus rótulos, que oferecem fruta madura, própria das zonas quentes, sem perder o frescor, nem sempre presente nos vinhos da região. Hoje Moretti tem 60 hectares de vinhedos, alguns na zona do vulcão Etna. Todos são certificados orgânicos e cultivados pelo sistema conhecido como alberello, em que cada pé é plantado separadamente em buracos no chão, como uma pequena árvore, para proteger do vento quente e forte que sopra da África. Seu tinto, 100% Nero d’Avola, vem de Noto, na parte leste da Sicília. Amadurece por 14 meses em tonéis de carvalho francês. Recorda nos aromas cereja e amora, chocolate e ervas. Estruturado, maduro, tem boa carga de taninos, macios, e acidez no ponto. Um vinho equilibrado, amplo e carnudo (14%).

Importadora Decanter – Atendimento Geral: (47) 99983-2961 – E-commerce: (47) 3038-8875 – www.decanter.com.br.


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