Argentina, nova fronteira para a Cabernet Sauvignon

Argentina, nova fronteira para a Cabernet Sauvignon

O enólogo norte-americano Paul Hobbs é um especialista em Malbec, prestígio reconhecido em todo o mundo. Dias atrás ele esteve em São Paulo para promover os vinhos que produz em Mendoza, na Argentina, na vinícola Cobos, distribuídos aqui pela importadora Grand Cru. Mostrou Malbecs preciosos, das linhas Bramare e Cobos. Mas apresentou também o magnífico Cobos Bramare Marchiori Vineyard Cabernet Sauvignon 2012 e surpreendeu a plateia com uma declaração: “No dia em que os argentinos trabalharem com mais cuidado a Cabernet Sauvignon, teremos no país uma nova fronteira para a casta”. Segundo ele, os Cabernet Sauvignon da Argentina têm tudo para igualar e até suplantar os tintos feitos com esta uva no Chile, na Austrália ou na Califórnia.

Bem humorado, Hobbs disse que nossos vizinhos não se apegam a detalhes e conseguem produzir grandes Malbec só porque a variedade não exige muito capricho. “A Malbec se dá bem em climas secos, como os de Mendoza”, afirmou. “É também mais resistente e não precisa de atenção especial, como a Cabernet Sauvignon.” A seu ver, este é o segredo para produzir um Cabernet Sauvignon diferenciado.

viña Cobos 3O primeiro cuidado é com a escolha do terroir. As uvas utilizadas para os vinhos da Viña Cobos vêm de duas áreas. Na zona alta do rio Mendoza, entre Maipú e Lujan de Cuyo, a altitude fica em torno de mil metros, com solos bem drenados, perfeitos para Malbec e Cabernet Sauvignon. A segunda área selecionada é o Vale de Uco, onde as altitudes são ainda maiores, chegam a 1.200 metros. O clima é fresco e a diferença de temperatura entre dia e noite, a chamada amplitude térmica, favorece a maturação mais lenta e plena das uvas, sem perder a acidez.

Viña Cobos administra cinco vinhedos, próprios ou de agricultores parceiros. São chamados Zingaretti, Chañares, Rebon, Touza e Marchiori, onde nasce seu Cabernet Sauvignon. O vinhedo Marchiori se localiza em Perdriel, Lujan de Cuyo, a quase mil metros de altitude. Tem 17 anos, em solos profundos, franco-argilosos, com presença de pedras, e baixo rendimento.

 

Cobos Bramare Marchiori Vineyard Cabernet Sauvignon 2012

Viña Cobos – Mendoza – Argentina – Grand Cru – R$ 689 – Nota 92

O tinto estagia por 17 meses em carvalho francês (65% novo). Nos aromas há frutas maduras, a ameixa, notas de graveto seco, ervas, tabaco, especiarias, grafite e leve mentol. Tem bom corpo, é seco, equilibrado, com boa acidez e frescor. Taninos firmes, finos, com muita elegância e frescor final. Vai longe.

O winemaker americano conhece bem a Cabernet Sauvignon, uma das estrelas da vinícola que ele possui nos Estados Unidos, a Paul Hobbs Winery, instalada em Sebastopol, no condado californiano de Sonoma. Em 2005, o influente crítico Robert Parker deu nota 100 para o Paul Hobbs Cabernet Sauvignon Beckstoffer To Kalon Vineyard 2002. O tinto logo conquistou uma legião de apreciadores em todo o mundo. É comercializado aqui pela importadora Mistral (US$ 499.50).

 

Viña Cobos vinhos 2Viña Cobos tem novos sócios

Entre os Malbec apresentados no evento da Grand Cru, dois destaques. Um deles é o Cobos Bramare Zingaretti Vineyard Malbec 2012, originário de Las Bastías, no Vale de Uco, a 1.150 m de altitude, de vinhas com mais de 80 anos. Rico de aromas, encorpado, elegante, tem como destaque a acidez e o frescor (R$ 745 – Nota 93). O outro é o Cobos Malbec 2013, o ícone da casa, elaborado com uvas das plantas mais velhas do vinhedo Marchiori. É um tinto elegante, sutil, estruturado e macio, muito elegante, uma das melhores expressões do que a Malbec pode atingir na Argentina (R$ 1.565 – Nota 95).

Paul Hobbs começou a trabalhar na Argentina em 1989, contratado pelo grande Nicolas Catena, com quem ficou até 1997. No ano seguinte associou-se a um casal de amigos, Andrea Marchiori e Luis Barraud. O pai de Andrea tinha um excelente vinhedo em Mendoza, à beira da estrada conhecida como Calle Cobos, e assim nasceu a Viña Cobos. Recentemente, o grupo Nieto Senetiner comprou a parte de Andrea e Barraud na sociedade. Mas Hobbs mantém seus 50% de participação e o comando da vinícola.

 

Para saber mais sobre Paul Hobbs



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