Symington, maior produtor de Portos de categoria superior, lança mais um vinho de mesa, o Altano Reserva Branco

Symington, maior produtor de Portos de categoria superior, lança mais um vinho de mesa, o Altano Reserva Branco

O grupo familiar Symington está ligado ao Vinho do Porto e ao Vale do rio Douro, nordeste de Portugal, há mais de 130 anos. Tem 26 quintas, com 1.065 hectares plantados com uvas, o maior conjunto de vinhas na região pertencentes a uma só família. De suas propriedades e adegas sai um terço do Porto de categorias superiores consumido no mundo. Mas nos últimos anos passou a oferecer também grandes vinhos de mesa. O último lançamento é o excelente Altano Reserva Branco 2016, que acaba de chegar ao Brasil, trazido pela importadora Mistral, de Ciro Lilla.

Para apresentar a novidade, e promover os outros rótulos da casa, esteve mais uma vez em São Paulo esta semana o simpático Dominic Symington, 62 anos, um dos dirigentes da empresa. E há mesmo muito o que mostrar. O clã produz 24 milhões de garrafas de Porto por ano, com as marcas Graham’s, Warre’s, Dow’s, Cokburn’s e Quinta do Vesúvio.

Os estoques são ainda maiores. Nas caves de suas quatro casas históricas, que ocupam 6 hectares espalhados por Vila Nova de Gaia, em frente à cidade do Porto, envelhece em pipas e tonéis de madeira o equivalente a mais de 55.000 pipas de Vinho do Porto. Como cada pipa tem capacidade para 550 litros, estamos falando de 30,2 milhões de litros estocados.

Quinta de Roriz, da Prats & Symington

A produção de Porto representa perto de 88% do portfólio do grupo. Na área dos vinhos de mesa, a Symington Family Estates entrega ao mercado 200 mil garrafas anuais. Nesta lista, destaque para os tintos elaborados junto com a família francesa de Bruno Prats, ex-proprietário do célebre Château Cos D’Estournel, de Bordeaux. A parceria começou em 2000, mesma época em que a Symington lançou seus primeiros vinhos Douro DOC, da linha Altano. Da associação com os franceses surgiu inicialmente o magnífico Chryseia, depois o Prazo de Roriz e o Post-Scriptum.

Entre os projetos inteiramente em mãos da Symington há os vinhos elaborados na Quinta do Vesúvio – linhas Pombal do Vesúvio e Quinta do Vesúvio – e na Quinta do Ataíde. Já a série Altano apresenta hoje tintos e brancos com qualidade e preços mais acessíveis.

 

Pequeno império

Quinta dos Malvedos, joia da Graham’s

Embora seja hoje um dos maiores grupos vitivinícolas de todo Portugal, a saga da família Symington está indelevelmente associada ao Douro e ao comércio de Vinho do Porto. A história começou em 1882, quando o jovem escocês Andrew James Symington, de 19 anos, deixou a terra natal e chegou ao Porto para trabalhar na Graham’s, casa fundada em 1820. Apesar da pouca idade, cinco anos depois ele criou a própria empresa exportadora de Porto.

Em 1891 Andrew James se casou com Beatrice Leitão de Carvalhosa Atkinson, de uma tradicional família portuguesa ligada ao vinho há 14 gerações. Aos poucos, montou um pequeno império. Em 1905 tornou-se sócio da Warre & Co., outra casa emblemática de Porto, da qual três anos depois passou a ser o único proprietário. Em 1912 Andrew James Symington assumiu posição como acionista da Dow’s e ficou responsável pelas operações da empresa em Portugal, incluindo as vinhas no Douro.

As gerações seguintes da família ampliaram e consolidaram o negócio. No início da década de 1960, os netos de Andrew James tornam-se os únicos proprietários da Dow’s. E em 1970, adquiriram a emblemática Graham’s, que na ocasião celebrava o seu 150º aniversário.

(Da esq. p/ dir.) No comando, Johnny, Dominic, Paul (ao centro) , Charles e Rupert

Hoje a Symington Family Estates, nome oficial da empresa, é comandada por representantes da quarta geração do clã – Paul e seu irmão Dominic e os primos Johnny, Rupert e Charles Symington, o enólogo da casa. Com visão comercial e mantendo a política de sempre reinvestir na área do vinho, eles incorporaram em 1989 a icônica Quinta do Vesúvio, no Douro Superior, que pertenceu a Dª Antónia Adelaide Ferreira e passou a ser administrada como um domaine francês, com vida própria.

Alguns anos mais tarde, outra aquisição importante. Em 2006 a família comprou as quintas da Cockburn’s, no Douro, as caves em Vila Nova de Gaia e todo o estoque desta casa de Vinho do Porto, fundada em 1815. Em 2010, adquiriu a própria marca Cockburn’s, assumindo a posse integral da empresa.

Com as novas quintas, as terras do grupo cresceram. Hoje a família possui 2.460 hectares no vale do Douro, dos quais mais de 1.000 ha ocupados com vinhas, em 26 propriedades. E o apetite não para. “Se aparecer à venda alguma quinta muito boa, estamos sempre dispostos a comprá-la”, disse Dominic Symington bem humorado, em entrevista ao Brasil Vinhos (veja abaixo o link para a conversa realizada esta semana, em São Paulo).

A bela e emblemática Quinta do Vesúvio

Mas não se trata simplesmente de comprar terras. Ao apresentar as normas de conduta da empresa, seus dirigentes escrevem: “Existe uma afinidade natural entre vinho e família. A visão de longo prazo, para além do compromisso e dedicação ao longo das gerações, são essenciais para o sucesso de uma empresa de vinhos familiar. Uma vinha recém-plantada precisa de tempo para produzir grandes vinhos e muitas vezes requer o trabalho de uma vida inteira para produzir os melhores resultados”.

Assim, cada geração faz sua parte. As quintas da família se localizam em áreas privilegiadas do Douro. Para melhorar ainda mais seu potencial, há muito a Symington conduz pesquisas no campo da vitivinicultura do Douro. Boa parte delas foi desenvolvida em experimentos idealizadas pelo enólogo Charles Symington nas quintas da Cavadinha e do Bomfim, situadas no Cima Corgo.

Em 2014 foi plantada outra vinha experimental na Quinta do Ataíde, no interior do Douro Superior, com 53 variedades diferentes para ver como se comportam no clima quente e seco da região – e por isso o projeto recebe o nome de Coleção de Castas. Os resultados das investigações vão ajudar futuramente a equipe a manejar mais adequadamente seus vinhedos.

A proteção ao meio ambiente é outra preocupação. A equipe segue as práticas da agricultura integrada e, do total plantado, 130 hectares são de vinhas orgânicas e biológicas, tendência em alta no mundo todo.

 

Agora no Alentejo

Fora do Douro, o grupo Symington tem uma pequena participação, hoje quase inexpressiva, na Blandy’s, empresa de vinhos da Ilha da Madeira. Mas no ano passado pela primeira vez a família realmente avançou para fora de suas fronteiras, ao comprar uma propriedade no Alentejo, no sudeste de Portugal, região que rivaliza em prestígio com o Douro.

Dominic Symington conta que se trata da Quinta da Fonte Souto, com 47 hectares, na zona de Portalegre. Tem vinhas com 25 anos de idade e uma adega. Lá a equipe está produzindo três tintos – um top, um segundo rótulo e um de entrada – e dois brancos. A nova marca deve ser lançada em Portugal no final de maio. A propósito, souto é o nome que os moradores locais dão às florestas de castanheiras.

 

Vinhos

No encontro em São Paulo, organizado pela importadora Mistral, foram provados seis vinhos, entre eles a novidade que chega agora ao nosso mercado, o Altano Reserva Branco. O jantar terminou com o excepcional Graham’s Vintage 2000, uma raridade. Dominic deu uma dica interessante para quem tem a oportunidade de tomar um Porto Vintage com mais idade.

Quanto tempo o vinho mantém suas boas qualidades depois de aberta a garrafa? Sempre se disse que o Vintage deve ser bebido no mesmo dia. Mas segundo Dominic há um macete. Se a garrafa não for consumida de imediato, o vinho deve ser decantado. Os Vintage envelhecidos costumam apresentar borra e estes sedimentos oxidam a bebida mais rapidamente. Pode-se então fazer a decantação, lavar a garrafa e devolver o vinho a ela. Aí dá para guardar de 7 a 10 dias.

Avaliamos aqui três dos rótulos apresentados na ocasião, o branco reserva e dois tintos da gama intermediária. Como todo produto importado de qualidade vendido aqui, não são baratos. Mas são menos caros que outros de mesmo nível.

 

Altano Reserva Branco 2016

Symington Family Estates – Douro – Portugal – Mistral – R$ 212 – Nota 91

É um desafio fazer brancos de classe no Douro, pelo clima quente e seco. Aqui a equipe da Symington conseguiu, a começar da escolha das uvas, mescla de Viosinho e Gouveio, que agregam estrutura e aromas, e Arinto, casta com bom nível de acidez, para dar frescor ao vinho. Pequena parte (15%) do lote fermenta e amadurece em barricas de carvalho francês. O restante é vinificado em tanques de inox e uma parcela também vai para estágio no carvalho. A madeira está presente, sem predominar. Os aromas lembram abacaxi, baunilha e um amendoado, em fundo cítrico. Mostra estrutura, boa acidez, equilíbrio e alguma complexidade, com final longo. Vai bem com bacalhau, especialmente nas preparações mais leves (13,2%).

 

Prazo de Roriz 2015

Prats & Symington – Douro – Portugal – Mistral – R$ 185,25 – Nota 90

Faz parte da parceria da família Symington com a família Prats, de Bordeaux. A equipe portuguesa diz que aprendeu muito com os franceses. Vinificar tintos de mesa é diferente do que produzir Porto, ainda que às vezes as uvas sejam as mesmas. No Douro havia a tradição de colher as uvas em determinado período, segundo práticas passadas de pai para filho. Os franceses mostraram que cada uma deve ser vindimada no momento certo, quando atinge a plena maturação. Os parceiros de Bordeaux também são mestres na arte do assemblage. É o que se nota neste tinto, corte de 35% Touriga Nacional, 35% Touriga Franca e 30% entre Tinta Barroca, Tinta Roriz e Tinto Cão. Um tinto raçudo, que traz ao nariz aromas de cereja, cassis e groselha. Carnudo, estruturado, bem resolvido, com acidez fresca, vai bem com comida (14%).

 

Post-Scriptum 2016

Prats & Symington – Douro – Portugal – Mistral – R$ 295,90 – Nota 91

O Chryseia é sem dúvida o vinho mais refinado, e caro, da associação entre as famílias Symington e Prats. Mas é impossível não se olhar com carinho para o Post-Scriptum que, na tradição bordalesa, é uma espécie de segundo vinho da casa. Um estupendo segundo vinho. Touriga Franca e Touriga Nacional predominam no lote, cada uma com 40%, e a Tinta Roriz completa o conjunto. São uvas da Quinta de Roriz, comprada em conjunto em 2006. O tinto oferece força e elegância. Nos aromas há base de cassis e as notas florais, de violeta, que sempre fazem lembrar a Touriga Nacional do Douro. Na boca é robusto, untuoso, macio com grande equilíbrio. Jovial, fresco, um vinho que se bebe com grande prazer. Post-Scriptum, como se sabe, é aquela observação acrescentada no final de uma carta, após a assinatura do remetente. No caso, é também uma junção da primeira letra dos sobrenomes Prats e Symington (13,5%).

 

Veja a entrevista de Dominic Symington ao Brasil Vinhos

 

 

 

 

 

 

 

 


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