O francês Philippe de Nicolay Rothschild renova sua importadora e cria duas novas marcas para atender comércio e consumidor final

O francês Philippe de Nicolay Rothschild renova sua importadora e cria duas novas marcas para atender comércio e consumidor final

Parte dos vinhos distribuídos pela PNR

O empresário francês Philippe de Nicolay-Rothschild, que mora no Brasil há nove anos, reformulou sua importadora de vinhos, a PNR, e criou duas novas marcas para trabalhar diferentes segmentos do mercado. Uma delas, Monvin, destina-se a lojistas, supermercados e restaurantes. A outra, Edega, é um clube de vinhos que atende também o consumidor final.

Philippe, 64 anos, integrante da família Rothschild, grupo célebre no mundo das finanças internacionais e do vinho, organizou eventos recentemente em São Paulo para apresentar os tintos e brancos que distribui. O catálogo inclui cerca de 300 bons rótulos da França, Itália, Espanha, Portugal e Chile.

Nascido em Paris, Philippe Nicolay Rothschild trabalhava nos bancos da família na França e decidiu mudar-se para o Brasil no final de 2009, por causa da crise econômica em seu país e na Europa. Achou que aqui teria oportunidade de investir e crescer. Tinha ligações afetivas com o Brasil há tempos.

Conta que em 2006 conheceu a praia de Trancoso, na Bahia, apaixonou-se e comprou dois terrenos na região. Três anos depois, construiu uma casa lá. Nesse meio tempo, fez várias viagens a São Paulo, para comprar móveis e o que mais precisava para sua nova casa. Gostou da capital, onde escolheu morar.

Philippe de Nicolay Rothschild

O vinho era outra paixão. Philippe analisou o mercado e em 2013 abriu sua importadora, a PNR, para distribuir vinhos do grupo Lafite-Rothschild e dos Champagnes Barons de Rothschild, joint venture formada pelas três ramificações da família. Mais tarde ampliou o portfólio, incorporando produtos de outros países, e agora reformula a empresa, criando dois ramos para atender aos diferentes segmentos do mercado.

A Monvin vai trabalhar somente no canal B2B (business-to-business), responsável pelas vendas a restaurantes, supermercados e lojistas. Além dos vinhos produzidos pelos Domaines Barons de Rothschild, acaba de receber cerca de 100 rótulos de novos produtores de diversos países.

Já o Edega é um clube de vinhos em que o cliente paga uma mensalidade e tem acesso proporcionalmente a parte do catálogo selecionado por Philippe de Nicolay-Rothschild. O valor é inteiramente revertido em créditos para a compra de vinhos, com preços especiais para os associados. Qualquer cliente pessoa física também pode fazer compras on line, pagando os valores de catálogo.

As duas marcas oferecem vinhos muito interessantes. Provamos vários deles e avaliamos quatro aqui, em diferentes faixas de preço. Os valores indicados são os informados no catálogo.

 

Chablis Vieilles Vignes 2013

Domaine du Vieux Château – Daniel-Etienne Defaix – Borgonha – França – Monvin/PNR – R$ 285 – Nota 92

Chablis é a terra de grandes brancos secos feitos com Chardonnay. Situada no norte da Borgonha, com invernos rigorosos, sua característica são os solos argilo-calcários, onde se encontra grande número de conchas fossilizadas de mariscos e pequenas ostras, pois no passado a área foi banhada pelo mar. Isso proporciona grande mineralidade a seus vinhos. O Vielles Vignes tem a classificação intermediária Chablis, uma das quatro AOC estabelecidas nesta região francesa (as outras três são Petit Chablis, a mais simples, e Chablis 1er Cru e Chablis Grand Cru, as de maior renome). Foi produzido a partir de uvas de diferentes vinhedos especiais do Domaine Daniel-Etienne Defaix, com idade média de 51 anos, e alguns até mais velhos, plantados em 1905. Depois da fermentação, com leveduras indígenas, amadureceu por 18 meses em barricas de carvalho, com bâtonnage mensal das leveduras, isto é vinho e borra são remexidos, para ganhar cremosidade e complexidade. Os aromas trazem cítricos, pêssego, bem como notas amendoadas e minerais. Na boca é bastante seco, vibrante, tem excelente acidez e elegância. Fruta e frescor dão o tom final (12,5%).

 

Légende Bordeaux Rouge 2016

Domaine Baron de Rothschild (Lafite) – Bordeaux – França – Monvin/PNR – R$ 165 – Nota 90

Em complemento a seus rótulos de enorme prestígio, como os Châteaux Lafite Rothschild, Duhart-Milon, L’Évangile e Rieussec, o grupo Barons de Rothschild (Lafite) passou a oferecer há alguns anos uma gama de vinhos mais acessíveis, fáceis e redondos. Criou assim o que chama de “Collection”, dedicada a cinco apelações clássicas de sua região – Bordeaux, Bordeaux Blanc, Médoc, Pauillac e Saint-Emilion. O Légende Bordeaux é produzido com 60% de Cabernet Sauvignon, de vinhedos da área de Graves, e 40% Merlot, de Entre-deux-Mers. Parte do lote (40%) tem estágio de 10 meses em barricas usadas de carvalho. Ao nariz traz framboesa e amora, em meio a notas florais e de café. Em corpo médio, apresenta boa estrutura, taninos maduros, acidez firme e final agradável. Pelo equilíbrio e frescor, é muito bom para acompanhar comida (12,5%).

 

Burdi Primitivo Rosso 2015

Duca Carlo Guarini – Puglia – Itália – Monvin/PNR – R$ 100 – Nota 90

Tinto para todo dia, o chamado “vino a tutto pasto”, já no ponto para beber. É produzido no sul da Itália pela centenária vinícola da família Guarini, de origem normanda, que chegou à Puglia no século XI e ajudou na conquista e formação do antigo reino da Sicília. Seu vinho, Primitivo 100%, vem de vinhedos com certificação orgânica, localizados na região de Brindisi. Sem madeira, lembra cacau, licor de cereja e jabuticaba. Classificado como meio seco pela legislação brasileira, por causa do açúcar residual acima de 4 gr. por litro, apresenta boa acidez e não é enjoativo. Um vinho macio e fácil de beber (13,5%).

 

Château Mangot 2014

Château Mangot – Bordeaux – França – Edega/PNR – R$ 295 – Nota 91

Nos anos 1980, Anne-Marie e Jean-Guy Todeschini assumiram o comando da vinícola familiar, localizada na apelação Saint-Émilion Grand Cru. Eles renovaram totalmente a propriedade e hoje, seus 37 hectares de vinhedos, em solos calcários e argilo-calcários, são cultivados com práticas sustentáveis. Desde 2008 contam com a ajuda dos filhos Karl e Yann. A família é dona também do Château La Brande, na denominação Côtes de Bordeaux. Seu tinto, mescla de 80% Merlot, 15% Cabernet Franc e 5% Cabernet Sauvignon, matura por 14 meses em barricas de carvalho francês (40% novas). Mostra ao nariz ameixa e cereja, em meio a notas florais, de tabaco e especiarias. Em corpo médio, tem taninos bem extraídos e ótima acidez. É macio, fácil, com bom frescor final (15%).

 

Monvin/PNR e Edega/PNR – São Paulo – SP – Tel: 0800 772 0158 e (11) 3074-6868 – www.monvin.com.br – www.edega.com.br.

 

 

 

 


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