Grupo francês Paul Mas completa 20 anos em 2020 e se torna símbolo da renovação vinícola do Languedoc

Grupo francês Paul Mas completa 20 anos em 2020 e se torna símbolo da renovação vinícola do Languedoc

A live com Jean-Claude Mas e seus vinhos

O grupo vinícola Paul Mas, fundado por Jean-Claude Mas no Languedoc, no sul da França, está completando 20 anos em 2020. Nestas duas décadas, a partir de apenas 35 hectares de vinhedos, Jean-Claude incorporou 15 propriedades e desenvolveu uma verdadeira revolução nesta região, parte do Midi francês, antes conhecida principalmente pela produção de vinhos simples, de grandes volumes.

Hoje o Languedoc, sempre associado à vizinha Roussillon, oferece tintos, brancos e espumantes de qualidade, a preços mais acessíveis do que o de outras zonas produtoras francesas. E os rótulos dos Domaines Paul Mas certamente estão entre eles.

Na semana passada, para comemorar os 20 anos de fundação, e a escolha de Paul Mas como a vinícola europeia do ano pela publicação norte-americana Wine Enthusiast, Jean-Claude Mas participou de uma degustação virtual de seus vinhos com jornalistas brasileiros, organizada pela importadora Decanter, de Adolar e Edson Hermann.

Os convidados receberam em casa garrafas de três rótulos que representam bem o estilo da casa, o branco Paul Mas Vermentino 2018; o Château Lauriga Jardin de Roses Rosé 2018; e o divertido tinto Arrogant Frog Croak Rôtie Syrah Viognier 2018. O evento foi conduzido por Tiago Locatelli, sommelier da Decanter, que demonstrou conhecimento e muita segurança ao conversar com Jean-Claude Mas, em inglês, sobre a vinícola e seus vinhos, e traduzir com precisão as respostas.

Château Villegly, na AOC Minervois

O produtor deu uma verdadeira aula sobre o Languedoc e mostrou o potencial da região para produzir vinhos de nível superior. Ao mesmo tempo, assinalou que, apesar da evolução dos últimos anos, boa parte da produção local, em mãos de cooperativas, ainda é de vinhos populares, despejados no mercado em quantidades elevadas. De fato, na França vinho do Midi é associado a vinho de mesa, tintos rascantes, vinho ordinário (pinard).

Fundada em 2000, a vinícola Paul Mas conta atualmente com 800 hectares de vinhedos em 15 propriedades diferentes em todo o Languedoc, desde Nîmes, perto do rio Rhône, no leste, até o Roussillon, no extremo oeste. Das vinhas da família, 20% têm certificação como agricultura biológica (orgânica) e 80% são certificados Terra Vitis, com manejo integrado, sustentável.

O respeito ao meio ambiente também é prática essencial nos 1.500 ha. que a família Mas mantém sob contratos de longo prazo com 80 agricultores parceiros. No total, o grupo produz cerca de 22 milhões de garrafas de vinho por ano. Só não se deve fazer confusão: a palavra Mas é o sobrenome da família e também designa, no sul da França, uma propriedade agrícola.

 

Languedoc

O Languedoc-Roussillon, no Midi

Antes de mais nada, é importante lembrar que a região do Languedoc-Roussillon ocupa o sul da França, delimitada pelo Mar Mediterrâneo ao sul e pelas montanhas ao norte. No sentido horizontal do mapa, vai da Provence, a leste, até os Pirineus, a oeste, na fronteira com a Espanha.

Antiga região administrativa francesa, integra a Occitânia e é constituída por cinco departamentos, sendo os principais Aude, Gard et Hérault. A população é de 2,5 milhões de pessoas. Seus habitantes falam francês, claro, e também o ‘occitan’’, o dialeto usado pelos trovadores medievais e que até hoje é ensinado nas escolas locais.

A propósito, vem daí o nome da região, do modo como os moradores diziam a palavra “sim”. Os povos do centro-norte francês falavam “oïl”, enquanto os do sul, “oc”. “Langue” é língua. Assim, a parte superior da França ficou conhecida como a região da “Langue d’oïl”. E o sul, como a área da “Langue d’oc”.

A paisagem da Languedoc é diversificada e sua história, muito rica. São 40 quilômetros de praias, vilarejos de pescadores, montanhas e vinhedos a perder de vista. Foi ocupada por gregos e romanos e suas vilas e cidades foram prósperas na Idade Média. Do passado romano podem ser vistos a arena de Nîmes e a famosa Pont du Gard, antigo aqueduto.

Ao norte ficam as célebres cavernas de Cévennes. Por todo lado, moinhos de pedra e ruínas de castelos cátaros. Entre as cidades, Carcassone e Minerve ainda guardam suas muralhas medievais e a charmosa Perpigan, marcas da cultura catalã. A vida moderna está presente em Montpellier, capital e maior cidade da região, agitado centro estudantil – e sede de uma das faculdades de Enologia mais respeitadas do país. Outra área marcante é a Camargue, extensa área formada por areias e cascalho, salpicada de lagoas, célebre pela criação de cavalos e touros bravos.

Domaine du Silène, no vale do Hérault

Com 300 mil hectares plantados, o Languedoc-Roussillon é a maior região vinícola da França, onde há 23 apelações diferentes. Dali sai perto de 1/3 de todo vinho produzido no país, a maior parte classificada como os populares “Vin de Pays d’Oc”. Os melhores rótulos vêm de AOC importantes, como Minervois, Fitou, Corbières e Limoux (Crémant e Blanquette). Nos últimos anos, ganharam espaço denominações como Clairette du Languedoc, La Clape e Picpoul de Pinet.

É também a região vinícola mais quente da França, apresentando em média 320 dias de sol por ano. O clima é mediterrânico, com verões quentes e invernos mais suaves. Chove pouco e o perfil seco é acentuado pelos ventos que sopram da terra – Mistral, Cers e Tramontane. Já os ventos que chegam do mar trazem umidade e contrabalançam o conjunto.

Nos vinhedos, predominam as uvas tintas Syrah, Grenache, Carignan, Cinsault, Cabernet Sauvignon e Merlot. Entre as brancas, são encontradas as variedades Clairette, Terret, Rolle, Boubolenc, Picpoul, Muscat, Maccabéo, Vermentino, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier e Marsanne.

 

Jean-Claude Mas

Jean-Claude Mas: vinhos e esportes a motor

A família Mas tem terras no Languedoc desde o final do século XIX, em 1892, mas vendia suas uvas a terceiros. Foi Jean-Claude Mas, hoje com 56 anos, quem criou a vinícola que leva o sobrenome do clã e a transformou no que é atualmente, um dos símbolos da renovação da vinicultura da região. Nascido e criado em meio aos vinhedos, Jean-Claude quando jovem trabalhava na vinha com o pai e na adega com o avô. Mas demorou a dedicar-se integralmente à produção de vinhos. Começou primeiro como negociante.

Depois do bacharelado, aos 18 anos, ele estudou Economia e Publicidade. O vinho era um hobby. Formado na universidade, lançou no norte da França um Clube de Vinhos e montou uma importadora na Inglaterra, para distribuir rótulos biológicos. Em 1987, recebeu do pai, Paul Mas, 35 hectares de vinhedos junto ao centenário vilarejo de Pézenas, no departamento de Hérault.

No ano seguinte, Jean-Claude foi para Miami, nos Estados Unidos, para ser assistente do diretor de uma empresa que trabalhava com vinhos, alimentos e moda. Ali descobriu a força do mercado vinícola internacional e o sucesso dos vinhos do Novo Mundo.

Jean-Claude contou certa vez que conheceu em Miami bons vinhos da Argentina, que faziam sua estreia no mundo. Até então ninguém falava em vinhos argentinos. Depois das degustações, muitos críticos escreveram que eram tintos interessantes, alguns bastante bons. Aquilo despertou em Jean-Claude a inspiração para o potencial do Languedoc, sua terra natal. Se a Argentina podia fazer vinhos de nível superior, o Languedoc, com 2 mil anos de tradição vinícola, também poderia, desde que houvesse foco na qualidade.

Château Paul Mas: raízes familiares

Mas ao voltar para a Europa, em 1990, deixou o vinho de lado e foi trabalhar para a Motul, empresa norte-americana fabricante de óleos e lubrificantes para carros. Ficou lá por 3 anos, unindo trabalho e outra de suas paixões, as corridas de automóvel e os esportes a motor.

Em 1992, destaca, as raízes familiares falaram mais alto e ele voltou ao mundo do vinho. Foi contratado como diretor de exportação do grupo William Pitters, de Bordeaux. A experiência de ter passado quatro anos lá o fez conhecer as engrenagens do mercado internacional de vinhos e foi determinante para seu futuro.

Nessa mesma época ele conheceu o grande enólogo italiano Giorgio Grai (1930-2019), que considera figura marcante em sua formação. Com Grai Jean-Claude visitou importantes vinícolas italianas, aperfeiçoou seu modo de degustar e, principalmente, começou a dar forma ao estilo de vinhos que gostaria de produzir.

Antes de esse momento chegar, Jean-Claude ainda trabalhou por mais quatro anos como diretor comercial dos Domaines de Virginie (hoje Maison Virginie), da família Castel, no Languedoc. Ali reforçou seus conhecimentos de marketing e de enologia. Ele vinha produzindo pequenas partidas de vinhos com as uvas do vinhedo herdado do pai, nada mais que isso. Mas sentiu que finalmente estava pronto para ter sua própria vinícola.

 

Domaines Paul Mas

Vinus, a garça (heron)

Jean-Claude Mas fundou o Domaine Paul Mas em 2000. Deu à vinícola o nome do pai. Começou a produzir seus primeiros vinhos no castelo da família, no vilarejo de Conas, em Pézenas, no vale do Hérault. O castelo, com mais de mil anos de história, foi comprado em 1954 por Raymond Mas, avô de Jean-Claude, para ser a casa da família. Ali fica a sede do grupo, o Château Paul Mas.

A propriedade original fora desmantelada em 1792 e teve partes vendidas em leilão. Sobraram um moinho de pedra e o castelo, em uma parcela de terra de 27 hectares. Jean-Claude nasceu em Beziers, ali perto, e guarda muitas lembranças do castelo. Conta que quando tinha uns 3 anos de idade escapou da vigilância da mãe e percorreu 2 km para encontrar o avô, que trabalhava na adega os vinhos da nova safra.

Na live da semana passada ele lembrou que, também quando pequeno, deu outra escapada e foi até uma lagoa próximo de casa, onde se encantou com as garças que estavam por lá. Guardou aquilo na memória e ao criar a vinícola Paul Mas escolheu como símbolo justamente uma garça, que chamou de Vinus – ela preferia comer uvas e não peixe…

Os primeiros anos da nova empresa foram de aprendizado. Jean-Claude recorda que fazia tudo sozinho, as uvas eram de má qualidade e ele produzia apenas 3 mil garrafas por ano. Seus vinhedos ficavam entre Pézenas e Montpellier, a 10 km do Mediterrâneo. Passado o impacto inicial, conseguiu expandir a área de vinhas para Montagnac.

O panorama externo não era muito animador. A viticultura do Languedoc vivia um período de crise. A superprodução de vinhos populares provocou a queda nos preços e dificuldades econômicas. Muitos agricultores chegaram a arrancar parte das vinhas, até com incentivo do governo.

As vinícolas do grupo: por todo o Languedoc

Jean-Claude ressalta que desde o princípio teve a qualidade como foco e um objetivo: oferecer bons vinhos a preços acessíveis. Outra preocupação foi valorizar e revitalizar as antigas vinhas do Languedoc, nem sempre bem tratadas pelos proprietários.

Para aumentar sua produção, ele comprava uvas em diferentes zonas e via que algumas áreas eram melhores que outras. Passou a prestar atenção a isso e percebeu que, se queria produzir bons vinhos, tinha que ter controle sobre tudo. E só conseguiria se fosse dono da vinha. Assim, aos poucos começou a comprar vinhedos e adegas tradicionais em várias apelações da região.

Aprendeu que para ter o nível de qualidade desejado, precisava plantar a uva certa, no porta-enxerto correto, no local mais adequado. “Cada lugar exige práticas e culturas próprias, da exposição solar à poda”, ressalta. Mas não há uma receita. Jean-Claude diz que desenvolveu uma certa intuição para tratar os vinhedos.

Entre 2002 e 2016 adquiriu sucessivamente 11 propriedades, iniciando a formação de seu novo império. A primeira foi o Château Teramas Astruc, com 80 hectares de vinhas aos pés dos montes Pirineus, na apelação Limoux. Parte (25 ha) tem cultivo orgânico e o restante, agricultura integrada, sustentável (raisonée).

Nesta mesma área Jean-Claude comprou o Château de Martinolles – em Saint Hilaire, onde se diz que os monges da abadia local criaram o primeiro vinho efervescente no mundo, em 1544, bem antes de Don Perignon na Champagne. Junto às vinhas há 30 hectares de olivais e bosques de pinheiros e de carvalho. Lá, o grupo Paul Mas passou a produzir vinhos tranquilos e também espumantes da AOC Limoux (Crémant e Blanquette de Limoux).

Durante os governos do presidente George W. Bush, os americanos achavam os aliados franceses pouco sérios e arrogantes. Jean-Claude conta que resolveu incorporar o personagem e em 2005 lançou a marca Arrogant Frog, apoiada na imagem de um sapo irreverente e divertido, mas que representa vinhos bem feitos e de qualidade. O Château Arrogant Frog tem 20 hectares (15 ha. bio) e fica perto dos vilarejos de Gaja e Villedieu, na área de Limoux.

Arrogant frog, o sapo irreverente

O ano seguinte marcou a aquisição do Château Mas de Tannes, situado na comunidade de Montagnac, no baixo vale do Hérault, que no passado pertenceu à abadia cisterciense de Valmagne. Tem 60 hectares, dos quais 36 ha. de vinha, cultivados com as práticas da agricultura biodinâmica. A expansão continuou. O Château des Crès Ricards tem 42 ha. de vinhas em solos pedregosos na comunidade de Ceyras, ao pé do monte Baudile.

O Domaine de la Ferrandière, na comuna de Aigues-Vives, zona de Marseillette e Saint-Frichoux, acrescentou 100 ha. de vinhedos ao grupo. As videiras foram plantadas no local de uma antiga lagoa que secou, deixando uma grosa camada de sal no solo. Para fazer o cultivo, a equipe de Jean-Claude elimina o excesso de salinidade com água, inundando as parcelas no inverno. Por outro lado, as características do solo afastam o perigo da praga filoxera, o que permite o plantio em pé-franco, sem necessidade de porta-enxerto.

Comprado em 2014, o Domaine Silène des Peyrals tem 57 ha. na comuna de St-Pons-de-Mauchiens, mesmo junto aos vinhedos do Château Paul Mas, no Hérault. No Château Lauriga são 60 ha. de vinhas entre Perpignan e Thuir, já no Roussillon, perto da fronteira com a Espanha. O Château Jérémie, domaine histórico de Corbière, trouxe 68 ha de vinhedos ao pé do monte Alaric, no departamento de Aude. Na área do Gard ficam os 54 ha. do Château Nemosus. E na apelação Minervois, os 60 ha. do Château Villegly, adquirido em 2018.

Como se vê, em seus 800 hectares de vinhas, o grupo explora os principais terroirs do Languedoc-Roussillon, onde cultiva 45 diferentes variedades de uvas, autóctones ou nobres, vindas de outras conhecidas regiões francesas.

 

Sustentabilidade e preço

Vinhas inundadas: contra salinidade

Uma filosofia comum e uma espécie de carta de princípios conjunta unem todas as propriedades e marcas dos Domaines Paul Mas. No campo, 20% das vinhas têm manejo orgânico e o restante segue os preceitos da chamada agricultura sustentável, com certificação Terra Vitis. Algumas parcelas adotam práticas biodinâmicas e Jean-Claude pretende que, nos próximos anos, todos os vinhedos sejam orgânicos, cultivados sem o uso de produtos químicos sintéticos.

Ele tem uma boa razão para isso. Há alguns anos, quando a região foi atingida por chuvas particularmente fortes, Jean-Claude constatou que os vinhedos submetidos a práticas orgânicas se defenderam melhor das dificuldades climáticas e apresentaram uvas mais saudáveis na colheita. A partir daí se tornou ainda mais defensor do manejo orgânico e da proteção ao meio ambiente.

A sustentabilidade é o mantra que ele também utiliza no trato com os agricultores parceiros, com quem tem 1.500 ha. sob contrato. Costuma dizer que o importante na vinicultura é buscar excelência, com valorização do trabalho do produtor. A seu ver, o futuro do Languedoc depende do apoio que se deve dar a quem adota a bandeira da qualidade.

O grupo Paul Mas presta assistência aos parceiros e paga mais por suas uvas. Para Jean-Claude, a viticultura local tem que ser sustentável e render dinheiro ao agricultor. Assim ele poderá manter adequadamente seu vinhedo, pensando no longo prazo. No final, acredita, ganham todos, o grupo Paul Mas, que economiza ao não precisar manter outras centenas de vinhas próprias, e o agricultor, que tem seu trabalho valorizado. Para Jean-Claude, está tudo conectado: para ser ambientalmente sustentável, é preciso primeiro ser economicamente sustentável.

No caso dos vinhos, desde o início ele procurou oferecer produtos de qualidade a preços que, no mercado internacional, ficassem na faixa mais acessível, entre os 5 e os 10 euros. Entre os cerca de 130 vinhos do portfólio de Domaines Paul Mas, 80% estão neste segmento. De modo geral, são vinhos com concentração, boa fruta, equilibrados e fáceis de beber.

Estão entre eles os alegres Arrogant Frog, os rótulos das linhas Côté Mas e La Forge, trazidos ao Brasil pela importadora Decanter. Há muitos outros, como Paul Mas Classic e Estate, Alexaume e Esprit de Crès Ricards, Martinolles Classic, Ferrandière Blends, Les Tannes Tradición e Astruc Étoile.

Côte Mas: restaurante, vinhos, arte e cavalos

Ao completar 20 anos como produtor, Jean-Claude se impôs um novo desafio, oferecer também uma linha de produtos com mais complexidade, tintos e brancos de nicho, dirigidos ao consumidor mais exigente. Três novas cuvées expressam a proposta: Astelia, Laurinya e Silenus.

Astelia é um projeto pessoal, a partir de 13 hectares das melhores parcelas do vinhedo de Montagnac, biodinâmicas. O rótulo junta letras do nome das quatro filhas de Jean-Claude – Astrid, Elisa, Apolline e Estelle. Já Laurinya nasce no Château Lauriga e Silenus, no Domaine Silène.

Jean-Claude já vinha há algum tempo com a ideia de investir no segmento premium e, pouco a pouco, foi comprando pequenas parcelas de vinhas especiais em torno do Château Paul Mas. Com estas uvas, produz cuvées emblemáticas, como Clos des Mûres, Belluguette, Moulinas e Savignac. Recentemente também lançou série especial com seu próprio nome. Dentro do portfólio, as linhas da gama alta representam 20% da produção do grupo.

Quando pedem para resumir o que faz, Jean-Claude diz que Paul Mas representa o luxo no campo. É o conceito que ele vende desde 2012, quando implantou o projeto Côté Mas, que reúne no mesmo espaço – no meio dos vinhedos e dos olivais do Château Paul Mas – restaurante, bistrô, cave para degustação de vinhos, galeria de arte e passeios a cavalo.

Depois de duas décadas, Jean-Claude Mas continua ativo e acompanha tudo de perto. Às segundas-feiras ele visita as propriedades do grupo. Faz degustações diariamente para avaliar os vinhos em produção, ajuda a decidir o melhor momento da colheita nos diferentes terroirs em que atua, dá palpite no design dos rótulos. E diz que continua apaixonado pela região. Para ele, o Languedoc moderno é uma mistura da expertise francesa, do estilo toscano e do dinamismo da Califórnia.

 

Os vinhos da prova

Para a degustação virtual da semana passada, organizada pela Decanter, foram selecionados vinhos produzidos por três diferentes vinícolas do grupo Paul Mas. Um branco, um rosé e um tinto fáceis de gostar.

 

Château Paul Mas Vermentino 2018

Domaines Paul Mas – Languedoc-Roussillon – França – Decanter – R$ 121 – Nota 92

Branco volumoso, sem passagem por madeira, com mineralidade marcada. Traz a classificação IGP Pays D’Oc. É 100% Vermentino, casta aromática de origem italiana, mas há muito plantada no sul da França. Na Provence, alguns a chamam de Rolle. Parte das uvas vem de vinhedos próprios, no vale do Hérault, e parte é comprada de agricultores parceiros. Nos aromas lembra rosas, frutas tropicais, melão e cítricos. Há também algo de pedra raspada. Na boca é largo, untuoso, equilibrado. Mostra boa acidez, sem excessos, garantindo o frescor final. Um vinho delicioso (13%).

 

Château Lauriga Jardin de Roses Rosé 2018

Domaines Paul Mas – Languedoc-Roussillon – França – Decanter – R$ 161,70 – Nota 91

No nome, na garrafa, no rótulo, na cor, em tudo há lembrança de rosas. Vem do Château Lauriga, propriedade aos pés dos montes Pirineus, no Roussillon, comprada por Jean-Claude Mas em 2016. É corte de 70% Syrah e 30% Grenache, de parcelas da vinha plantadas especificamente para produzirem rosés. A prensagem rápida das cascas serve apenas para dar a coloração rosada clara. Depois a fermentação continua, sem as peles. Traz ao nariz morango, framboesa, algo de maçã e notas cítricas, de grapefruit. Perfumado, seco, tem boa estrutura e acidez correta, que garante o frescor, e grande persistência. Uma curiosidade: as garrafas podem ter rótulos com o nome de quatro diferentes variedades de rosas – Centifolia, Damas, Travita ou Red Eden. No caso, provamos Damas, conhecida pelo perfume (13%).

 

Arrogant Frog Croak Rôtie Syrah-Viognier 2018

Domaines Paul Mas – Languedoc-Roussillon – França – Decanter – R$ 124,20 – Nota 91

A fama de arrogantes, que os americanos atribuíam aos franceses, foi assumida por Jean-Claude Mas. Em 2005 ele lançou a imagem do frog arrogant, o sapo arrogante, como o mascote do grupo Paul Mas. Ele próprio se denominou “o humilde winemaker”. A ideia é ser um personagem irreverente, mas criativo, que oferece prazer a baixo custo. Seria como os vinhos desta linha especial, feita com uvas de 20 hectares de vinhedos plantados entre os vilarejos de Gaja e Villedieu, na zona de Limoux, dos quais 15 ha. cultivados com práticas orgânicas e, o restante, com manejo sustentável e certificação Terra Vitis. O tinto é uma brincadeira levada a sério, a começar pelo rótulo, onde aparece o frog ousado e a indicação do corte, em que a Syrah (91%) é amaciada pela branca Viognier (9%). É uma composição usual na Côte Rôtie, no vale do Rhône, daí a ironia do complemento: já que se trata de sapo, é “Croak Rôtie”. Um tinto jovial, frutado, com repouso de 5 meses em barricas de carvalho francês. Nos aromas aparecem notas florais, ameixa, groselha e amora. De corpo médio, tem taninos maduros, um vinho macio, fresco, equilibrado e fácil de beber (13,5%).

 

Importadora Decanter – Atendimento Geral: (47) 99983-2961 – E-commerce: (47) 3038-8875 – www.decanter.com.br.

 



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