Os pequenos e notáveis produtores chilenos do Movi

Os pequenos e notáveis produtores chilenos do Movi

O Chile tem gigantes no mundo do vinho, vinícolas que produzem mais de 150 milhões de garrafas por ano, mas também pequenos produtores que querem mostrar que vinho é igualmente envolvimento pessoal, alma e paixão. Um desses grupos é o Movi, Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile, que esteve mais uma vez em São Paulo dias atrás, para promover seus produtos notáveis.

O Movi surgiu em 2009, reunindo pequenas vinícolas que, sozinhas, tinham dificuldades para divulgar seus rótulos no mercado. Deu muito certo e hoje o nome Movi é uma referência de qualidade no país. Começou com 12 integrantes. Na última vez em que seus representantes estiveram no Brasil, em 2016, já eram 27. E hoje, o movimento congrega 37 vinícolas de diferentes regiões chilenas.

Entre os associados há empresas conhecidas do nosso consumidor, como Villard, Von Siebenthal, Gilmore, Erasmo, Viña Polkura e Attilio & Mochi – vinícola criada pelo simpático casal brasileiro Marcos Attilio e Angela Mochi, que produz ótimos vinhos no vale de Casablanca. Alguns têm distribuidores no Brasil. Outros, de excelente nível, como Kingston e Flaherty, ainda buscam importadores aqui. É uma aposta que vale a pena, pois seus tintos e brancos são de primeira linha.

Angela Mochi e o Amber 2018

Em números, a produção total dos associados representa apenas 0,1% do que se faz no Chile. A importância do Movi é outra, chamar a atenção para o fato de que, muito além das grandes empresas, o universo vinícola chileno tem vida independente, vinhos feitos em escala humana, artesanal, e expressiva diversidade. “As vinícolas associadas ao Movi têm em comum serem pequenas, em que os donos estejam diretamente envolvidos, com vinhos de qualidade”, diz Angela Mochi, participante de primeira hora do grupo.

Segundo ela, as maiores vinícolas ligadas ao movimento entregam ao mercado não mais que 200 mil garrafas por ano. A maioria, bem menos que isso. Há ações conjuntas para reduzir custos e favorecer as pequenas empresas pela maior escala. Acordos comerciais procuram beneficiar os integrantes. Busca-se a divulgação coletiva dos vinhos, como a organização de eventos comuns junto ao consumidor, a exemplo do Movi Night realizado dias atrás em São Paulo. Outra iniciativa é o Comitê de Insumos, que gerencia as compras coletivas para os associados interessados.

Após a criação do Movi apareceram outras associações de pequenos produtores no Chile, com os mesmos objetivos. Uma delas, Colchagua Singular, que reúne vinícolas rtesanais somente do vale de Colchagua, fez promoção de seus rótulos no Brasil em agosto passado.

Movimentos como estes poderiam servir de exemplo para as pequenas vinícolas brasileiras. Atuando em conjunto elas terão mais força, poderão enfrentar melhor as dificuldades da nossa economia e aumentar seu poder de barganha junto a grandes compradores e mesmo junto ao governo, sempre feroz na tributação dos vinhos. Para isso, os produtores precisam deixar de lado os interesses puramente pessoais e entender que o trabalho conjunto vai beneficiar a todos.

As 37 empresas ligadas ao Movi apresentaram pelo menos um vinho cada no evento de São Paulo. Selecionamos alguns aqui, para mostrar o estilo e o potencial de todo o grupo.

 

Attilio&Mochi Tunquen Sauvignon Blanc 2017

Attilio&Mochi – Vale de Casablanca – Chile – PNR Import – R$ 90 – Nota 90

Os brasileiros Marcos Attilio e Angela Mochi, que já tiveram importadora aqui (Wine Company), instalaram-se em 2011 no Chile, para produzir seus próprios vinhos. Eles possuem 5,5 hectares de terras no frio vale de Casablanca, perto do oceano Pacífico, sendo 2 ha. plantados com uvas. Sua última aventura é um espetacular vinho laranja, o branco Amber 2018, a partir de Roussanne e Viognier. Como a produção é minúscula, quem provou, provou! Embora também de escala reduzida, o Tunquen Sauvignon Blanc também mostra o cuidado que o casal dedica a seus vinhos. Branco marcado por aromas cítricos, com algo de salgado, é volumoso, tem muito equilíbrio, uma acidez vibrante, persistência e ótimo frescor. O trabalho com a importadora paulista PNR está recém começando, e por isso os rótulos de Attilio&Mochi podem demorar um pouco a chegar por aqui (13,5%).

 

Clos Andino Le Carmenère Grande Reserve 2015

Viña Clos Andino – Peumo/Cachapoal – Chile – La Charbonnade – R$ 135 – Nota 91

Projeto chileno-francês, como muitos outros existentes no Chile, a união do Novo e do Velho Mundo. O enólogo francês José Luis Martin-Bouquillard chegou ao Chile nos anos 1990, para trabalhar para a multinacional Pernod Ricard, e ali ficou, radicando-se em Curicó. Em 2007 concretizou sua própria vinícola, junto com a mulher, a chilena Victoria Jaramillo, e um amigo, o também enólogo francês Georges Blanck (ex-diretor enológico da Moët&Chandon). Recentemente, juntou-se ao grupo o empresário chinês Xinglei Pan. A empresa produz 20 mil garrafas por ano. Para seus vinhos, procuram as melhores áreas do vale central para cada uma das uvas que entram em sua composição. No caso do tinto, a Carmenère mencionada no rótulo vem de Peumo, zona especial, em que há boas horas de sol para amadurecer adequadamente a casta, de trato exigente, e ao mesmo tempo, presença de brisas frias vindas da costa, que favorecem a elegância. Aqui a Carmenère entra com 85% do lote, temperada por 10% de Cabernet Sauvignon e 5% de outras uvas. Parte (20%) repousa em carvalho de 8 a 10 meses. Traz ao nariz notas florais, leve tostado e ameixa. Equilibrado, é redondo, macio, com a elegância bem ao estilo dos melhores tintos franceses (13,4%).

 

Von Siebenthal Parcela #7 Gran Reserva 2014

Von Siebenthal – Vale de Aconcagua – Chile – Wine Lovers – R$ 148 – Nota 91

Depois de frequentar o Chile por mais de duas décadas, o advogado suíço Mauro Von Siebenthal sonhou produzir seus próprios vinhos no país. O projeto foi concretizado em 1998, com apoio financeiro de quatro amigos. A Parcela 7 foi a primeira vinha que comprou. A receita para este tinto, de sua linha de base, muda conforme o comportamento da safra. Em 2014, incluiu 40% Cabernet Sauvignon, 30% Cabernet Franc, 15% Merlot e 15% Petit Verdot. Passou 14 meses em barricas usadas de carvalho francês (80%) e americano. É um vinho equilibrado, delicioso, oferecendo nos aromas café, tabaco e leves notas de mentol. Macio, elegante, tem bom corpo e frescor final (14%).

 

Polkura Syrah 2015

Viña Polkura – Colchagua – Chile – Premium – R$ 246,73 – Nota 91

A vinícola foi fundada em 2002 pelo enólogo Sven Bruchfeld, em parceria com o amigo Gonzalo Muñoz. Eles produzem 85 mil garrafas por ano e têm 14 hectares de vinhas em Marchigue, onde o clima com muitas horas de sol proporciona Syrahs maduros, encorpados e com maior graduação alcoólica, como este. Corte de 96% Syrah, 3% Grenache Noir (vinhedos secano, sem irrigação) e 1% Viognier, amadurece por 15 meses em barricas de carvalho francês (20% novas). Nos aromas há notas de especiarias, como pimenta negra, em base frutada a amora e morango. Estruturado, tem taninos firmes e um conjunto balanceado pela boa acidez. Apresenta frescor final, com notas florais. A propósito, Polkura é o nome de um pequeno morro situado no meio da propriedade (14,5%).

 

 


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