Piccini produz bons vinhos em três regiões da Itália

Piccini produz bons vinhos em três regiões da Itália

Os vinhos da prova

Esteve mais uma vez em São Paulo, na semana passada, a diretora comercial da vinícola italiana Piccini, Deborah Provenzani, ótima ocasião para avaliar, também mais uma vez, os tintos e brancos elaborados pela casa. Em prova organizada pela importadora Vinci, de Ciro Lilla, foram analisados nove vinhos. A Piccini, com sede na Toscana, é atualmente a 25ª maior empresa vinícola italiana, destacando-se como a maior produtora de Chianti e Chianti Classico do país. Possui propriedades ainda na Basilicata e na Sicília.

A casa foi fundada em 1882 por Angiolo Piccini e sua mulher, Maria Teresa Totti, que compraram 7 hectares de vinhedos na comuna de Poggibonsi e começaram a produzir Chianti em fiaschi, aquelas garrafas bojudas antigas, envolvidas por palha.

A família Piccini, com as novas gerações

Hoje o grupo é comandado por Mario, Martina e Elisa Piccini, da quarta geração da família. Explora mais de 400 hectares de terras, dos quais 150 ha. de vinhedos, em cinco propriedades diferentes. A maior, Fattoria di Valiano, comprada em 1995 em Castelnuovo Berardenga, na zona do Chianti Classico, tem 230 hectares de terras, sendo 70 ha. ocupados pela vinha. Uma curiosidade: nos anos 1960 a azienda pertenceu ao ex-presidente da República da Itália Giovanni Gronchi – nome de avenida no bairro do Morumbi, em São Paulo.

A Tenuta Moraia, adquirida em 2000, fica igualmente na Toscana, na área costeira da Maremma, com 170 hectares de terra, dos quais 60 ha. de vinhedos. A outra propriedade toscana, com 12 ha., é a Villa al Cortile, em Montalcino, zona do Brunello. Fora dali, a família Piccini comanda a tenuta Regio Cantina, com 15 ha., na Basilicata, no sul da Itália.

A Villa al Cortile, em Montalcino

A última incorporação foi a tenuta Torre Mora, na área da denominação situada nas terras vulcânicas do monte Etna, na Sicília. No total, o grupo produz 20 milhões de garrafas de vinho por ano, a maior parte assinada pela enóloga Antonella Conti. Apenas de Chianti e Chianti Clássico são 7 milhões de garrafas anuais. Na década de 2000 foi lançada uma linha de Chiantis com rótulo laranja, que passou a ser um destaque da casa.

 

 

Os vinhos

Na prova realizada na sede da Vinci, em São Paulo, Deborah Provenzani apresentou, entre outros, um branco leve e interessante, a partir da uva Vernaccia di San Gimignano, da família da Trebbiano; um rosé da série Memoro; e um Rosso di Montalcino. Analisamos aqui quatro vinhos de diferentes faixas de preço.

 

Memoro Bianco n/v

Piccini – Itália – Vinci – R$ 118,50 – Nota 90

A série Memoro é produzida com um blend de uvas de diferentes locais, como se representassem a viticultura de toda a Itália. No caso do branco, é lote de 40% de Viognier colhida na Sicília; 30% de Viognier, do Trentino; 20% Vermentino, da Maremma; e 10% Pecorino, do Marche. Cada lote é vinificado em sua própria região e depois se faz a mistura. Por ser mescla de regiões e safras diversas, não indica o ano no rótulo. Um vinho gostoso, que traz ao nariz notas de pêssego, manga e mel. Seco, mostra estrutura, boa acidez e persistência, em um conjunto equilibrado (13%).

 

Mario Primo Toscana Rosso IGT 2015

Piccini – Toscana – Itália – Vinci – R$ 99,90 – Nota 88

Um tinto leve e jovem, fácil, um Chianti para tomar refrescado, pensado para atrair o consumidor iniciante. O corte inclui uvas tintas e brancas, como acontecia no passado. Mescla 80% Sangiovese, 10% de Canaiolo e Merlot e 10% das brancas Trebbiano e Malvasia. Merlot e Canaiolo entram no blend para deixar o vinho mais redondo e as brancas, para reforçar aromas. Não tem passagem por madeira. Traz boa fruta vermelha, taninos maduros, macios, persistência média. Nada que arranhe ou agrida. A garrafa é diferenciada, mais baixa e gorda. O nome faz referência ao Mario da 2ª geração da família, que consolidou e expandiu a vinícola na década de 1920 (12%).

 

Chianti Riserva DOCG 2014

Piccini – Toscana – Itália – Vinci – R$ 118,50 – Nota 90

Tinto macio e sedoso, com ótima acidez, bom para acompanhar comida. Corte de 90% Sangiovese, 5% Canaiolo e 5% Colorino, amadurece por 12 meses em barricas usadas de carvalho. Lembra nos aromas cereja e ameixa, com notas florais e de tabaco. Na boca tem corpo médio, taninos maduros, persistência média e final agradável. O preço é acessível, tratando-se de um Chianti Riserva desse padrão (13%).

 

Brunello di Montalcini Villa al Cortile DOCG 2013

Piccini – Toscana – Itália – Vinci – R$ 523,20 – Nota 92

Um tinto de gama alta, robusto e bem feito, 100% Sangiovese Grosso, com estágio de 20 meses em botti (tonéis grandes) e 4 meses em barricas pequenas de carvalho. Nos aromas há notas florais e de alcaçuz, em base frutada a cereja. Estruturado, seco, taninos maduros, elegante e persistente, está bom para tomar já, mas tem músculos para guarda (14%).

 

 

 


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